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A grande cilada da cocaína

 
 
 
Alfredo Castro Neto
 
No começo ela dá prazer, mas logo depois atira o usuário num inferno difícil de ser deixado
 

Os pais e professores precisam saber os verdadeiros riscos que correm os usuários de cocaína. A grande verdade é que o viciado nesta droga tem que se lembrar sempre de que fez um pacto com o diabo, e que para sair verdadeiramente do inferno terá que lutar todos os dias. Um fato incontestável é que a cocaína é a única substância tóxica, entre as drogas usadas normalmente, capaz de matar repentinamente sua vítima. Entre as seqüelas deixadas por ela, podem estar a paralisia de parte do corpo, as dificuldades respiratórias e a destruição da cartilagem nasal e do chamado céu da boca.

Entre as seqüelas deixadas por ela, podem estar a paralisia de parte do corpo, as dificuldades respiratórias e a destruição da cartilagem nasal e do chamado céu da boca. A princípio, a cocaína provoca euforia, gera a dependência e depois mostra a sua face nos estragos que produz no organismo, podendo resultar em morte súbita ou em complicações hepáticas, cardíacas ou nas glândulas sexuais. O efeito anorexígeno (inibidor da fome) resulta da ação da cocaína sobre o hipotálamo. No cérebro, a droga bloqueia os níveis pré-sinápticos e rompe os neurotransmissores dopamina, serotonina e noradrenalina.

Cilada
 
 
 

Com isto, ocorre um “excesso de oferta” desses neurotransmissores, que ficam à disposição dos receptores pós-sinápticos, um eixo biológico que provoca uma somação de grandiosidade, euforia, prazer, excitação sexual e outros sintomas. Esse conjunto de sensações também é chamado de “Síndrome de Popeye”, numa comparação da cocaína ao espinafre que dá superpoderes ao marinheiro do desenho animado.

 
 

Um preço alto demais

 
 

Precisamos compreender que em nossos cérebros ocorrem trilhões de intercâmbios neuroquímicos por minuto, e se perceberá com evidência o preço que se paga por viver uma experiência de euforia. Um preço alto demais, considerando-se as conseqüên-cias que o indivíduo terá que suportar.

 
 

A grande cilada da cocaína é que numa primeira etapa a droga parece muito eficiente como ação bloqueadora da recaptação pré-sináptica, ou seja: ela chega a produzir efeitos semelhantes aos dos antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina. Porém, a cocaína vai destruindo, vai queimando os receptores pós-sinápticos, e começa a perder suas funções – ou simplesmente tem suas forças anuladas. Isto produz estados paranóicos que podem chegar a níveis psicóticos e depressões graves, que acabam gerando ações suicidas.

 
 

Na luta contra a cocaína, o tratamento psiquiátrico é fundamental. Na verdade, ao recorrer à droga, a pessoa está psicologicamente muito mal. O dependente precisa ser convencido da importância da vida. O tratamento com antidepressivos e aminoácidos ajuda a evitar que ele saia em busca da droga assim como o Popeye procura o espinafre, certo de que ali está a sua força, a sua energia.

 
 

A psicoterapia de apoio tem uma grande importância, já que o abandono e a carência afetiva são fatores importantes para a atração pela droga. Convém lembrar que, se o dependente de cocaína quiser ficar livre dela, ele não poderá ingerir nunca mais uma gota de álcool.

 
 

Atualmente, sabemos que a cocaína é um inimigo incomparável, que pode arruinar pessoas e destruir comunidades. Por isso, precisamos combater esse mal com educação e prevenção. A sociedade precisa estar muito bem informada sobre os males provocados por essa droga.

 
     
     
   
     
 
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