Brasilia DF - (61) 3244.1810 | Belo Horizonte MG - (31) 3241.6202 | Londrina PR - (43) 3345.0189

Itajai PR - (47) 3249.0411 | Sorocaba SP - (15) 3243.4330

     
 

A Dependência Química começa em casa

 
     
 

Muitos dos dependentes químicos iniciaram seu relacionamento com as drogas exatamente no lugar onde se suporia que estariam mais seguros: dentro de casa. Na realidade, de acordo com a Dra. Sandra Schivoletto, psiquiatra, Coordenadora Executiva do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas e Responsável pelo Ambulatório de Adolescentes e Drogas do Departamento de Psiquiatria da USP, e com o psicólogo clínico Fernando F. Tavares de Lima, Diretor Clínico do Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia, é em casa, em família, que as crianças aprendem como se relacionar com as substâncias químicas. Não há dúvidas de que as crianças e os adolescentes que iniciam o uso de remédios e drogas ilícitas vêem no exemplo das pessoas mais velhas uma atitude a ser imitada.

 
 

Se, para cada problema, existe uma solução química, a dependência química é a decorrência natural. O problema, segundo os profissionais, é que muitas famílias adotam um modelo de comportamento permissivo em relação às substâncias químicas, utilizando-as como alternativa para a solução imediata de suas angústias. Até o fim da infância, os pais são vistos como referência do que é certo e somente na adolescência, quando passam a ter contato com outros modelos de comportamento, é que começam a questioná-los. Mas é na infância que o indivíduo estabelece sua forma de lidar com o mundo, com as angústias e as emoções. Dra. Sandra usa como exemplo o pai que chega em casa e, estressado, toma um whisky, ou a mãe que usa um calmante, como o Lexotan ®, para relaxar. Isso resulta em um modelo de que para qualquer problema, uma substância química é uma solução rápida. "Não se cria o hábito de, em família, conversar para resolver os problemas: toma-se logo um remedinho, bebe-se uma bebidinha, para qualquer coisa."

 
 

Automedicação: exemplos que passam a mensagem errada

 
 

De acordo com a médica, famílias que se automedicam têm mais chances de que seus filhos abusem de drogas tanto lícitas quanto ilícitas. Um exemplo clássico é o do uso de vitaminas para abrir o apetite, quando a criança não quer comer. A mensagem passada para a criança está errada. Quanto a isso, o psicólogo Fernando complementa que um dos expedientes utilizados com muita freqüência para abrir o apetite é o tradicional Biotônico Fontoura ®, xarope que, segundo ele, possui 9% de teor alcoólico, contra 4 ou 5% das cervejas.

 
 

Não se pode esquecer ainda que há remédios que são feitos para crianças, embora contenham componentes tóxicos bastante fortes. As crianças descobrem a "farmacinha" doméstica e vão em busca daqueles remédios "gostosinhos" como, por exemplo, alguns xaropes com gosto doce ou mesmo alguns comprimidos que parecem balas. "Os pais ou responsáveis devem ter o maior cuidado no armazenamento de remédios em casa. Não se pode deixá-los à mão de crianças: nunca é demais lembrar que remédios são drogas e devem estar guardados em locais fechados, fora do alcance dos pequenos", alerta o psicólogo.

 
 

O imediatismo típico da adolescência

 
 

Junta-se a este modelo familiar descrito pela psiquiatra uma das características mais típicas dos adolescentes: o imediatismo. Com estes ingredientes está criado o ambiente onde a dependência química se instala. "O adolescente está preocupado com o agora, e não com o daqui um ano. Em um modelo familiar deste tipo, ele não aprendeu a lidar com a tristeza, o cansaço, a frustração. Para aliviar seus problemas, aprendeu que a saída é tomar um comprimido, beber alguma coisa, ou qualquer outra solução imediata que dê prazer e/ou alívio."

 
 

A psiquiatra Sandra lembra que crianças e adolescentes não aprendem com discurso, mas com comportamento, exemplo, coerência. E aí entram uma série de aprendizados indiretos, muitas vezes não relacionados com as drogas em si, mas que fazem parte deste modelo. "De nada adianta ensinarmos na escola as regras de trânsito se, depois, o pai passa no sinal vermelho na frente do filho: falta coerência na educação familiar. Ela ensina que o diálogo é o modelo que precisa ser implantado no ambiente familiar.

 
 

Para estar tranqüilo em relação ao que espera dos hábitos do filho no futuro, plante isso com ele desde o início. Não espere que ele lhe conte o seu dia se você não lhe conta o seu.

 
     
 
Voltar
 
     

 

 

 

 

Webmaster